Alunos e professores da UPIS – Faculdades Integradas debatem sobre a responsabilidade social e profissional do zootecnista no Brasil
Nesta quarta-feira, 30 de setembro, professores e alunos do curso de Zootecnia da UPIS – Faculdades Integradas receberam, no Campus II, em Planaltina, o presidente da Associação Brasileira de Zootecnia, Walter Mota.
Pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais e membro relator da Comissão Assessora de Zootecnia do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais (Inep), o profissional é considerado referência do setor no Brasil.
Para o coordenador do curso de Zootecnia da UPIS, Guilherme José de Carvalho, a conversa do profissional com os alunos sobre a atuação do zootecnista no mercado nacional é fundamental para o entendimento da responsabilidade do setor para o agronegócio. “Essa é a oportunidade de os estudantes vivenciarem e presenciarem um pouco da experiência do Walter e debater sobre o futuro da zootecnia no Brasil”, afirma.
Em sua apresentação, Walter fez breve histórico sobre a atuação do zootecnista desde a regulamentação da profissão, em 1970, e avaliou o processo de desenvolvimento do País desde então. “Precisamos entender que, naquela época, 48% do salário médio dos trabalhadores eram dedicados à alimentação. Hoje, o custo caiu para 18%, graças às melhorias da qualidade dos produtos de origens animal e vegetal no mercado. Esses dados podem ser associados ao conhecimento depositado no agronegócio que, atualmente, representa 38% do PIB brasileiro", diz.
Ao avaliar o desempenho do agronegócio nacional, Walter chamou a atenção dos alunos ao comparar o investimento em pesquisas no Brasil e em outros países. “Na Europa há uma retração no mercado por falta de espaço e de pesquisas no setor. Isso é tendência mundial. O desenvolvimento científico como soberania tem sido deixado de lado. Dessa forma, temos de aproveitar a oportunidade e perceber que o Brasil será, futuramente, de grande potencial no ramo. Nós iremos produzir mais alimentos, com menos custos e com cuidados ambientais e científicos mais desenvolvidos”, explica.
O otimismo de Walter é comprovado ao constatar que, há 50 anos, o Brasil utilizava apenas 3% do seu território para a produção de alimentos, tanto de origem vegetal, quanto animal. “Atualmente, 40% do espaço é usado só na produção de grãos. Desses, metade é para alimentação animal. Por isso, se confiarmos nesse potencial, podemos tornar o Brasil uma referência mundial. Basta investirmos em pessoas, em conhecimento científico e em tecnologia. Não precisamos seguir as tendências internacionais”, afirma.
Regulamentação
Além do debate sobre o futuro da zootecnia no Brasil, Walter Mota aproveitou a oportunidade para tirar dúvidas sobre a regulamentação da profissão.
Está prevista para a próxima semana a votação do PL nº 2824, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. O projeto prevê a retirada da alínea C, da Lei nº 5.500, criada em 1970. “A zootecnia já está regulamentada. O projeto pretende apenas redefinir o texto legal para rever a atribuição do profissional de zootecnia. A alínea C dá autonomia para agrônomos e médicos veterinários praticarem a zootecnia. Precisamos apenas regular a titulação e a regulamentação profissional do graduado na área”, explica.
02/10/2009