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PESQUISADORES CRIAM ALTERNATIVA
PARA COMBATER A BIOPIRATARIA
Brasília - No Brasil se ouviu falar pela primeira vez do
mercado negro de animais silvestres na década de 50, quando
as autoridades brasileiras apreenderam mais de mil peles de Beija-Flor
e outras 30 mil de catetos, queixadas e capivaras; que seriam comercializadas
no exterior. Meio século depois, o mercado negro de animais
silvestres, continua ganhando as manchetes policiais no Brasil.
A grande novidade é que agora está sendo discutida
nos meios acadêmica forma de combater a exploração
ilegal, oferecendo alternativas para legalizar a criação,
o manejo e o comércio de animais silvestres, numa atividade
inédita, que começa a ser conhecida no País
como “pecuária alternativa silvestre ou exótica”.
Para isso os pesquisadores brasileiros estão atuando em
parceria com o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis.
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| Délcio Rocha,
diretor-presidente da ACRIASE |
De acordo com o zootecnista Délcio
César Cordeiro Rocha, diretor-presidente da ACRIASE – Associação
Paranaense de Criadores de Animais Silvestres e Exóticos,
o surgimento dessa nova cadeia produtiva não vai acabar
com o mercado negro, mas será um golpe na biopirataria.
Ele lembrou que vários países compram ilegalmente
esses animais silvestres brasileiros para estudar a parte genética
dos mesmos, acabando por patentear direitos científicos
de espécies da fauna brasileira. “De cada 10 animais
silvestres retirados ilegalmente da natureza, apenas um sobrevive.
A exploração comercial de animais da fauna silvestre
e exótica no Brasil tem atraído criadores, pois além
de ser uma alternativa econômica, esse tipo de atividade,
quando bem conduzida, preserva as espécies silvestres da
extinção”, explicou Rocha.
Ele citou como exemplo os catetos e queixadas que, na natureza,
de cada dez filhotes nascidos, apenas um ou dois chegam à idade
adulta. “Enquanto que, quando criados em cativeiros, com
um bom manejo zootécnico, oito atingem esse índice”.
Mas Délcio Rocha frisa que a idéia não é a
de comercializar espécies raras da fauna brasileira, mas
somente aquelas autorizadas pelo IBAMA e que hoje têm potencial
de produção como: capivara, ema, paca, cotia, cateto,
queixada, perdiz, tartarugas e jacarés.
Segundo Rocha, seu intuito maior é fomentar a atividade
de pesquisa sobre o assunto no país. Ele frisou que a única
Universidade brasileira a oferecer mestrado e doutorado, em Zootecnia,
na área de produção de animais silvestres é a
Federal de Viçosa, em Minas Gerais. “E o curso de
Agronegócios na UFRGS – Universidade Federal do Rio
Grande do Sul -, foi o primeiro a desenvolver o estudo da Cadeia
Produtiva”, explicou. O pesquisador está participando,
em Brasília, do Zootec 2004, VI Congresso Internacional
de Zootecnia e o XIV Congresso Nacional de Zootecnia, que acontece
no Hotel Blue Tree até a próxima segunda-feira (31).
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